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08.02.2010 - Perspectivas para os biocombustiveis
 

No ano de 2009, as vendas do setor de combustíveis fósseis e renováveis alcançaram perto de 100 bilhões de litros, alta de 2% em relação ao período de 2008.
 
A venda do álcool (etanol) cresceu perto de 25%, em um total de 27 bilhões de litros. Para tanto, perto de 60% da cana-de-açúcar nas indústrias foram destinados ao fabrico do etanol.
 
Quanto à gasolina, a demanda permaneceu inalterada em 2009, com o consumo perto de 25 bilhões de litros.
 
Para 2010, o etanol hidratado continuará ultrapassando o uso da gasolina: no período 2012/13, perto de 37 bilhões serão consumidos.
 
Ademais, o álcool anidro é adicionado à gasolina automotiva, visando à substituição do chumbo e à melhoria da qualidade do derivado do petróleo (octanagem).
 
Ao contrário dos preços do açúcar, mais favoráveis em decorrência da falta de produção suficiente na Índia, considerada o maior consumidor mundial, o etanol, no ano transcorrido, foi vendido com custo abaixo da produção.
 
Já no ano de 2008, o etanol hidratado foi entregue com menos de 8% do valor do seu fabrico.
 
No primeiro trimestre do ano passado, inclusive, as vendas do etanol hidratado foram efetuadas com mais de 30% abaixo do custo de produção.
 
No acumulado do ano de 2009, o licenciamento de unidades flex foi de 90% no segmento dos veículos leves.
Luiz Gonzaga Bertelli

Desta forma, tão-só no período de 2003 a 2009, o uso do etanol nos carros flex evitou a emissão de 80 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera, segundo os dados da Unica.
 
A queima dos combustíveis fósseis, como gasolina, diesel e carvão mineral, provoca a emissão de gases como ozônio e monóxido de carbono.
 
A moagem da cana (safra 2009/2010) deverá ficar em torno de 600 milhões de toneladas, apesar das condições climáticas adversas, com o excesso chuvas em relação à média de três décadas anteriores, o que provoca a inversão da sacarose de cana e baixos rendimentos industriais.
 
Quanto ao óleo diesel, 45 bilhões de litros, destinados na maioria ao transporte rodoviário, foram queimados no ano transcorrido, o que resultou no aumento das importações do produto.
 
O governo deveria criar condições mais favoráveis ao aumento da produção do biodiesel a fim de diminuirmos o déficit da produção do diesel.
 
Outra singularidade de 2009 foi o ingresso de expressivos recursos financeiros do exterior na indústria do açúcar e do etanol, o que é um reconhecimento da qualidade, da tecnologia e da competitividade do mercado brasileiro nesse setor.
 
As multinacionais vão moer 20% da cana prevista para a vindoura safra de 2010/2011.
 
Ainda em 2010, as expectativas continuam otimistas para o agronegócio da cana, diante do crescente preço do petróleo -já em torno de 80 dólares por barril, no mercado- e também pela previsão de melhores condições do mercado financeiro.
 
No agonizar do ano de 2009 e início do ano novo, os preços do etanol hidratado nas bombas deixaram de ser competitivos em algumas regiões brasileiras e o levantamento junto aos postos mostra que o derivado de cana ultrapassa 70% do preço da gasolina, inclusive, em vários estabelecimentos da metrópole paulistana.
 
Ao que tudo indica, a situação deverá persistir até o início da vindoura produção sucroalcooleira, em março, penalizando, dessa forma, o usuário do etanol.
 
Para os especialistas, a política de preços dos combustíveis do governo brasileiro congelou o preço da gasolina, quando poderíamos assumir a condição de mercado livre sem protecionismo.
 
Nos países desenvolvidos, a energia limpa e renovável é isenta de tributação, em virtude dos benefícios decorrentes do seu uso para o meio ambiente e para a saúde da população.
 
Em sete anos, uso do etanol em carros flex evitou emissão de 80 milhões de t de gás carbônico.

Fonte: Diário do Comércio Industrial
Publicado em 08 de fevereiro de 2010

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